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20 fev

A eterna questão da formação e qualificação de pessoal

Balde-furado

Em tempos remotos, as empresas tinham seu valor calculado pelos ativos que possuíam, incluindo suas marcas. Nos últimos 20 anos do século passado, passaram a ser avaliadas pelas suas carteiras de clientes. Atualmente, muitas têm sido compradas pela sua equipe de trabalho.

Num bate papo recente um colega de mercado comentou que tinha perdido um funcionário brilhante porque seu RH valorizou mais as regras burocráticas do que a capacidade da pessoa.

Sua fala gerou um debate bastante rico a respeito do mercado de trabalho no nosso meio e a retomada da discussão a respeito de formação e de qualificação das nossas equipes.

O tema é tão amplo que, caso abordássemos todos os seus enfoques teríamos de fazer uma nova edição da encyclopedia britannica com seus 30 volumes e mais de meio milhão de tópicos.

Não é o caso. Vou me ater apenas a três questões, e deixo o debate aberto para quem queira participar.

O primeiro deles é o da captação de novos funcionários. Reconhecidamente um problema num mundo em transformação dentro de um país que não preza pela qualidade educacional.

De um lado não formamos gente suficiente para uma série de profissões e, mesmo quando formamos, o fazemos de forma abaixo da mediocridade (sim, existem exceções, como em qualquer tipo de generalização).

Enquanto ficamos debatendo quais serão as profissões do futuro (e a morte de algumas profissões), temos um déficit de médicos, de  engenheiros e, pasmem, em que pese nossa dependência cada vez maior de tecnologia, teremos 750 mil profissionais a menos que o necessário em 2020.

Solução de curto prazo? Não acredito em nenhuma possível, exceto, talvez importar mão de obra, mas quem quer vir para o Brasil nas condições de trabalho que são oferecidas aqui? No médio prazo uma reforma radical do modelo educacional (improvável) talvez resolva, mesmo assim pode chegar tarde demais.

O segundo ponto é o da qualificação dos funcionários atuais. Uma vez que eles já estão dentro da empresa, conhecem produtos, mercados e idiossincrasias corporativas, por que não investir naqueles que tem potencial para se tornarem aquilo que precisamos.

De novo, a cultura tem jogado contra essa possibilidade. Empresários e gestores tem, cada vez mais, passado a tesoura em orçamentos de formação, com a desculpa de que treinam as pessoas e depois elas vão embora (assunto para o terceiro item abaixo). Preferem incompetentes que permaneçam.

Claro que isso mereceria, no mínimo, um investimento em formação desses mesmos empresários e gestores em administração de pessoal.

Aqui também existem raras exceções. Não por acaso entre as empresas que lideram seus mercados. Não é coincidência.

Finalmente, o terceiro ponto que é a retenção de pessoas.

Num mercado que está com demanda maior que a oferta é inevitável perder funcionários (sempre os mais qualificados, é óbvio). Retenção de 100% nunca será alcançada, mas uma coisa é perder um ou outro, outra coisa é perder equipes inteiras, como têm acontecido com frequência.

E os principais motivos seriam todos evitáveis. Políticas arcaicas de salários e de plano de carreiras (ou, quando parecem ser modernas, são apenas para inglês ver), falta de transparência e participação nos processos de tomada de decisão e, claro, falta de investimento em formação e qualificação.

Na dúvida, jovens (e outros não tão jovens assim) brilhantes preferem a sedução sexy das startups a trabalhar numa empresa “sólida”.

Diferentemente do primeiro ponto, o segundo e o terceiro tem solução de curto prazo. Dependem apenas da liderança das empresas mudar seu modelo de gestão de pessoas.

Antes que você questione meu “apenas”, reconheço que não é algo simples. Vai doer na personalidade e no espírito de muitos que terão de destruir paradigmas solidificados há muito tempo.

Se a mudança não acontecer é inevitável que, caso você dê sorte, seja comprado para levarem seu pessoal, se não, terá de gastar muito mais do que precisaria para comprar o pessoal de outra empresa, com o risco de perde-los rapidamente.

A terceira opção me parece a mais provável: você vai ter de fechar as portas (e não me chame de catastrofista, basta olhar em volta de você e ver quantas já fecharam).

 

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