Como matar sua marca com automação de marketing

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Antes que você, meu leitor, ache que vou falar mal de automação de marketing gostaria de lembrar que não só eu sou um defensor do seu uso, como professor que dá aulas sobre esse tema.

Talvez, por isso mesmo, fico furioso quando alguém faz a besteira que vou contar, até pelo fato de que isso depõe contra nós, profissionais do mercado.

Antes que qualquer atividade de automação seja inserida num software que a processe e gerencie, existem alguns passos fundamentais:

Partindo do princípio que você já tem um produto/serviço e a precificação do mesmo, o primeiro é segmentar o seu público-alvo, pelo método que fizer mais sentido para o seu negócio. Não existe ação tão fantástica que seja capaz de convencer as pessoas erradas.

Uma vez definido o público, é importante ter um desenho da jornada que seus já clientes fizeram para chegar até você, provavelmente os seus prospects seguirão caminhos muitos parecidos.

O passo seguinte é desenhar os processos e fluxos de comunicação, geralmente a parte mais complexa e trabalhosa do seu programa de automação. E, nesse ponto, faço questão de destacar a importância do fulfillment, ou seja, como eu vou entregar a minha promessa? Como eu vou lidar com as respostas negativas?

Só depois disso que vou pensar em criar as peças de comunicação e programar a ferramenta para o seu disparo.

Antes de apertar o botão de início, tenha certeza que as métricas que você vai obter respondem suas perguntas estratégicas e táticas.

E se programe para fazer revisões frequentes, tanto se a ação for um sucesso, como se algo não estiver respondendo como você gostaria.

Mas existe uma maneira muito simples de você estragar tudo: não siga os passos listados acima! A história de horror que passei foi a seguinte:

Um ser capturou meu nome no LinkedIn e identificou que eu trabalho para uma instituição de ensino que o interessava como cliente. Me ofereceu serviços de terceirização de atividades administrativas e financeiras para a escola.

Como eu sou um cara educado e respondo as mensagens que recebo, expliquei que eu dava aulas nessa instituição, mas não tinha nada a ver com a gestão administrativa e financeira da mesma.

Dois dias depois recebo um segundo e-mail, dizendo que talvez eu não tivesse visto a mensagem anterior. Respondi que tinha visto e respondido.

Não mais que dois dias depois, recebo um novo e-mail, me lembrando novamente que eles tinham uma proposta imperdível para me fazer. Comecei a perder a paciência e respondi que eles é que estavam perdendo. Perdendo tempo comigo.

Na quarta mensagem eu resolvi ativar meu sarcasmo, e respondi o e-mail trocando a linha de assunto para: “Quero que você vá para o inferno”.

Quem imagina que o sujeito surtou e me xingou está enganado. Ele também não leu esse, como não leu nenhuma das minhas respostas anteriores. Mandou mais uma mensagem. Bloqueei o remetente.

Imagino se eu tivesse me interessado pelo assunto e quisesse agendar a visita que ele propunha, ele também não saberia, pois não lia as respostas.

Não é exatamente a empresa com quem eu terceirizaria minhas atividades administrativas e financeiras.

Mas pode ter certeza que alguém de lá deve contar para o mundo que eles têm uma ferramenta fabulosa de automação, mas que não está dando resultados…