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16 out

Marketeiro sim!

marketing

Provavelmente, ao final desse texto, você irá me acusar de corporativismo. E, de certa forma, você estará certo. Não no sentido original do corporativismo como modelo político mas pelo fato de que eu venho aqui defender a minha classe profissional.

Durante as eleições de 1989, os profissionais que cuidavam da comunicação dos candidatos receberam o apelido de marqueteiros.

Marqueteiro (ou marketeiro), segundo os principais dicionários brasileiros (“Aurélio” e “Houaiss”), é “pessoa ou profissional do marketing”.

Infelizmente é quase sempre utilizado pela imprensa para designar especificamente aqueles profissionais que fazem “marketing político”.

Por motivos óbvios, a expressão carrega um viés depreciativo, claramente associado ao “produto” que estão vendendo.

Nosso bom e velho Kotler já definia o Marketing como o conjunto de atividades que envolvem o processo de criação, planejamento e desenvolvimento de produtos ou serviços que satisfaçam as necessidades do consumidor, e de estratégias de comunicação e vendas que superem a concorrência.

É justamente aí que as coisas começam a ficar nebulosas, uma vez que um político não é um sabão em pó que foi criado para atender as necessidades do consumidor.

Ou não?

Pior, na ânsia de conquistar o poder, as estratégias de comunicação e vendas desses “produtos”, não poucas vezes poderiam estar sujeitas ao código de defesa do consumidor ou a recursos no Conar, reclamando da propaganda enganosa.

Eu sou marqueteiro. Muitos dos que me leem também. Tenho certeza que, assim como eu, muitas vezes sentiram vergonha de dizer que são profissionais de marketing – e pensar que, em tempos áureos, essa era uma profissão cheia de glamour!

Não defendo a volta desse glamour, que também era excessivo. Nossa profissão não nos torna seres humanos melhores que os outros. Nem piores.

O que defendo é o resgate da valorização profissional da classe. Inclusive dos marqueteiros políticos – existem bons profissionais trabalhando seriamente com “produtos” em que eles acreditam de verdade.

A quem cabe essa função de resgatar o valor da classe?

De um lado às nossas entidades representativas mas, certamente, muito mais a cada um de nós, mostrando no dia-a-dia que nosso trabalho é importante e, principalmente, honesto.

Marketeiro sim! E com muito orgulho

Comentários (7)

  1. Imagem pessoa

    Quando associamos caracteristicas do marketing ao produto e serviço oferecido nos comprometemos com o mercado consumidor, porque então o “marketing politico” exclui essas regras eticas muitas vezes propagando engodos e mentiras ao produto, sou completamente contra quem as pratica dessa forma.

  2. Imagem pessoa
    pio borges 16 outubro 2014

    Fábio, sem marketing não haveria o mundo de hoje. Entre os prós e contras os prós ganham de goleada.
    Fico tocado quando o posicionamento da Dilma é atribuído a seu marqueteiro.
    Fico tocado devido à aproximação dos dois candidatos.
    Quando o Fernando Henrique foi eleito me senti num paraíso especial: tínhamos o presidente mais preparado, o presidente com a melhor equipe , tínhamos o presidente que administrou o fim da inflação descontrolada.
    Foi reeleito, mas o seu candidato perdeu para o Lula.
    Lula eleito provocou o reverso da sensação de paraíso, A carta aos brasileiros sufocou o meu choque. Mas o poste que o sucedeu não poderia fazer mais do que um poste pode fazer.
    O marqueteiro – que tinha sido o talismã para a eleição me parece que vá perder a eleição.

    O que é preciso agora, mais do que nunca, buscar a verdade por trás dos fatos.
    Será esta luz que vai determinar se podemos aspirar a uma volta para o paraíso.

    Com marqueteiros ou sem marqueteiros. Apenas com brasileiros…

  3. Imagem pessoa

    Fábio ,

    Há um Mês ou mais postei no Linkedin minha indignação exatamente com o que você muito bem pontou . Seu texto agora me satisfaz e me representa como marqueteiro que me considero também.
    Reduzir o Marketing a Propaganda e Publicidade é um viés histórico do Brasil que veio muito forte com a TV , Industrialização , substituição de importados desde a década de 40 e 50 do século passado. O Viés ficou .
    Dilma se é produto , teve um excelente exemplo de propaganda enganosa e a pior espécie de publicidade e propaganda manipulativa . Está mais para Goebel do que para Kotller ou Porter .
    Uma pequena correção na posição do colega Pio Borges , Serra nunca foi o candidato de FHC e ao se impor ao PSDB em 2002 foi simplesmente deixada a mingua por mais da metade do partido .
    Quanto ao resgate do valor da classe concordo sim com a iniciativa individual mas entendo que os indivíduos devem sim influenciar e fazer com que as associações de classe de fato representem a quem devem representar e corretamente.
    Abraços

    1. Imagem pessoa
      Fábio Adiron Post do autor 18 novembro 2014

      Marcos,
      Eu, sinceramente, ainda não descobri um político que, como produto, não seja propaganda enganosa. Por isso, há muito tempo, optei pelo voto nulo em todas as esferas e cargos

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